Por Jota
Jota
Com a
proximidade do processo eleitoral no Vitória, vamos bater um papo com o
empresário Marcus Sarmento, buscando saber de suas metas com relação à
administração do seu clube do coração.
Jota: Marcus
Sarmento o que lhe incentivou a ser um dos candidatos à presidência do Vitória
neste momento?
M.S: O que
me incentivou a tomar a decisão de me candidatar ao cargo de presidente do
Conselho Diretor do clube é a vontade que tenho em mudar a história recente do
clube. O que temos visto no Vitória é um clube dirigido por incapazes e
vaidosos que se acham donos do clube: os cardeais. Esses estão destruindo o
clube que amamos. O Vitória, hoje, é um clube de donos, que mandam e desmandam
ao seu bel-prazer. Um clube de futebol profissional não tem espaço mais para isso.
Não há espaço para amadores como esses que aí estão. Não há espaço para pessoas
sem compromisso com a instituição. Esse clube é do torcedor e de todos que o
amam. O Vitória precisa ser profissionalizado, reorganizado. Essa é a
oportunidade que o sócio terá em setembro, quando será realizada a eleição.
Jota: Por
acaso tens conhecimento a fundo, dos problemas por que passa o Vitória, não só
no administrativo financeiro e também no futebol?
M.S: Todos
nós temos uma noção do que vem acontecendo no Esporte Clube Vitória há alguns
anos. Financeiramente, o clube está em uma situação crítica, para não dizer
desesperadora, contudo, isso não impediu da atual diretoria contratar quase
quarenta jogadores em 2022 - a maioria deles pouco ajudou durante a temporada.
O mesmo modelo de trabalho de diretorias anteriores, com muitas contratações
questionáveis e formas de gestão irresponsáveis, foi utilizado por esses atuais
dirigentes. Isso tudo onerou o clube e o levou a um poço ainda mais fundo. A
reestruturação será inevitável, dolorosa e fundamental para que o clube volte a
ter esperança de dias melhores.
Jota:
Sabemos de sua capacidade como administrador de suas empresas, do Aras com
cavalos premiados, e como prefeito de uma cidade que estava bagunçada, como
será no Vitória?
M.S: Minha
gestão no Vitória, se tivermos êxito no pleito, e estamos esperançosos quanto a
isso pela receptividade do torcedor, será austera e realista. O torcedor cansou
de ser enganado com falsas promessas de dirigentes sem capacidade e gestões irresponsáveis
desses que passaram ou que aí ainda estão. O clube vem sendo penalizado com
isso. O Vitória precisa de planejamento. Essa é a palavra de ordem do nosso
grupo. O atual presidente, que ajudou a eleger Paulo Carneiro na última eleição
e que pegou o clube faltando dezesseis rodadas para o fim da Série B de 2021, é
a continuidade disso tudo que estamos querendo retirar da história do clube.
Colocar o Vitória na Série B é obrigação dele, pois o rebaixamento para a C tem
a sua assinatura.
Jota: O financeiro
foi sempre a queixa de todos que entraram, culpando a situação dentro e fora do
campo, isso lhe incomoda, ou tens já um mecanismo para solucionar as feridas?
M.S:
Incomoda a partir do momento que os que reclamaram e ainda reclamam da parte
financeira não buscarem solução para o problema, que, na verdade, tem sido
criado por eles mesmos. O Vitória passa por uma grave situação financeira por
desmandos, irresponsabilidades e por falta de equilíbrio em suas ações
administrativas. Hoje somos a imagem do retrocesso, da desorganização
institucional. O Vitória precisa de uma mudança radical e responsável.
Jota: O
torcedor assim como você, está indignado com os elencos montados ultimamente,
se a bola não entra, tudo desaba, se eleito, o que fazer com o departamento de
futebol e paralelamente com a base?
M.S: Hoje o
departamento de futebol é comandado por cardeais que querem um clube
centenário, com uma torcida apaixonada, para chamar de seu. O Vitória parou no
tempo em todas as suas áreas e, na principal delas, o futebol, conseguiu chegar
ao nível mais rasteiro de sua história. Não adianta prometer o que não se pode
cumprir. Precisamos profissionalizar o futebol do clube com ações assertivas,
buscando pessoas que possam cumprir o vamos estabelecer: gerir de forma
responsável, dentro da nossa atual realidade, que ainda é de um clube de Série
C.
Nossa base
passa por um período de muitas mudanças, sendo hoje comandada por pessoas que
nada entendem do processo administrativo de um clube de futebol. A base do Vitória
é e sempre será uma fonte de receita segura, constante. A base terá atenção
especial em nossa gestão. Precisamos dela mais do que nunca agora.
Jota: O que
o levou a se unir com Rick para que a oposição esteja fortalecida diante dos
demais candidatos?
M.S: Ricky
tem uma história no futebol não só com a camisa do Vitória. Ele tem o nosso
respeito e, principalmente, o respeito do torcedor, que sabe das suas intenções
com o clube. Ricky é um apaixonado pelo Vitória, assim como a gente, e tem uma
visão de mercado ampla, atualizada. Pessoas sérias como ele sempre agregarão a
qualquer gestão.
Jota: Com
esta fusão dos dois grupos, poderia o ídolo Rick comandar o futebol, ou esta
conversa ainda não aconteceu?
M.S: Não
estamos preocupados em quais cargos cada um terá. Nossa preocupação é
contribuir com o crescimento do clube dentro e fora de campo. Não temos a
palavra vaidade em nosso projeto. Temos pessoas comprometidas, preparadas e
cientes das responsabilidades que terão ao longo de três anos de gestão.
Jota: Marcus
Sarmento finalmente, poderias expor para o sofrido torcedor do Leão, seus
projetos, planos de trabalho e modelo de administração?
M.S: Nenhum
dirigente pode entrar no Esporte Clube Vitória sem uma auditoria. O Vitória é
uma caixa-preta. Hoje precisamos resgatar a identidade do clube. Deixamos de
ser o clube a ser seguido. Somos, hoje, o modelo negativo para os outros
clubes, e muito em razão das pessoas que geriram e que estão gerindo o clube
hoje.
Precisamos
profissionalizar o futebol. Parece uma frase clichê, mas é prioridade. Sem um
futebol forte, não se faz um clube forte. Nossa ideia é resgatar o
relacionamento perdido há alguns anos com o mercado nacional e internacional. A
marca do Esporte Clube Vitória foi referência em um passado não tão distante. O
clube vem definhando em todas as áreas, não só o futebol. A comunicação do
clube com o torcedor é péssima, com o sócio que tem contribuído, mesmo na Série
C, também é vergonhosa. O torcedor do Vitória vem sendo maltratado ao longo de
muitos anos.
Com
tranquilidade e uma situação financeira estabilizada, precisamos olhar mais
para o nosso Barradão, nossa casa. Queremos transformá-lo é um espaço para a
família, com opções de lazer antes dos jogos. O torcedor merece conforto.
Temos que
colocar sonhos e planos possíveis. O impossível não será feito por ninguém. O
primeiro passo é colocar metas, pequenas que sejam, que estejam em nosso
alcance.
Jota:
Faltando pouco mais de 30 dias para o pleito, acreditas que existe tempo hábil,
para que os eleitores adimplentes absorvam suas prevenções?
M.S: Hoje temos uma corrida contra o tempo para a campanha eleitoral. Muitos grupos estão buscando a união com o Grupo Raiz e isso nos deixa felizes. É o sinal de que o nosso projeto vem agradando ao torcedor. Estamos conversando com torcedores rubro-negros que buscam o mesmo que a gente: uma mudança significativa na gestão do clube.
Jota: Acreditas que se eleito, conseguira administrar sem intervenções, uma vez que elas atrapalharam por demais o clube?
M.S: Acredito que qualquer intervenção que se venha a ter com qualquer candidato que for eleito presidente do Esporte Clube Vitória só prejudicará ainda mais o clube. Não tenho medo de intervenções. Se tivesse, não estaria concorrendo. Penso em um clube com um futuro digno da sua história, com pés no chão, reestruturação, equilíbrio em suas contas. Se todos pensarem desta forma, acredito que o clube possa retornar aos seus anos de glórias.
Jota: Marcus
Sarmento obrigado pela consideração e atenção, e esteja à vontade para suas
considerações finais.
M.S: Queria
agradecer ao espaço, Jota, e sei que você e todos os rubro-negros querem
mudanças e um novo momento para o Esporte Clube Vitória. Hoje estamos reféns de
pessoas que estão no clube por vaidade, sem capacidade administrativa, mas
temos esperanças de que isso mudará em breve. Quero ver o clube que aprendi a
amar ainda criança a dar alegrias ao torcedor. Nós merecemos isso.

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