quarta-feira, 10 de agosto de 2022

VITÓRIA; UMA CONVERSA FRANCA COM MARCUS SARMENTO

 

Por Jota Jota

Com a proximidade do processo eleitoral no Vitória, vamos bater um papo com o empresário Marcus Sarmento, buscando saber de suas metas com relação à administração do seu clube do coração.

Jota: Marcus Sarmento o que lhe incentivou a ser um dos candidatos à presidência do Vitória neste momento?

M.S: O que me incentivou a tomar a decisão de me candidatar ao cargo de presidente do Conselho Diretor do clube é a vontade que tenho em mudar a história recente do clube. O que temos visto no Vitória é um clube dirigido por incapazes e vaidosos que se acham donos do clube: os cardeais. Esses estão destruindo o clube que amamos. O Vitória, hoje, é um clube de donos, que mandam e desmandam ao seu bel-prazer. Um clube de futebol profissional não tem espaço mais para isso. Não há espaço para amadores como esses que aí estão. Não há espaço para pessoas sem compromisso com a instituição. Esse clube é do torcedor e de todos que o amam. O Vitória precisa ser profissionalizado, reorganizado. Essa é a oportunidade que o sócio terá em setembro, quando será realizada a eleição.

Jota: Por acaso tens conhecimento a fundo, dos problemas por que passa o Vitória, não só no administrativo financeiro e também no futebol?

M.S: Todos nós temos uma noção do que vem acontecendo no Esporte Clube Vitória há alguns anos. Financeiramente, o clube está em uma situação crítica, para não dizer desesperadora, contudo, isso não impediu da atual diretoria contratar quase quarenta jogadores em 2022 - a maioria deles pouco ajudou durante a temporada. O mesmo modelo de trabalho de diretorias anteriores, com muitas contratações questionáveis e formas de gestão irresponsáveis, foi utilizado por esses atuais dirigentes. Isso tudo onerou o clube e o levou a um poço ainda mais fundo. A reestruturação será inevitável, dolorosa e fundamental para que o clube volte a ter esperança de dias melhores.

Jota: Sabemos de sua capacidade como administrador de suas empresas, do Aras com cavalos premiados, e como prefeito de uma cidade que estava bagunçada, como será no Vitória?

M.S: Minha gestão no Vitória, se tivermos êxito no pleito, e estamos esperançosos quanto a isso pela receptividade do torcedor, será austera e realista. O torcedor cansou de ser enganado com falsas promessas de dirigentes sem capacidade e gestões irresponsáveis desses que passaram ou que aí ainda estão. O clube vem sendo penalizado com isso. O Vitória precisa de planejamento. Essa é a palavra de ordem do nosso grupo. O atual presidente, que ajudou a eleger Paulo Carneiro na última eleição e que pegou o clube faltando dezesseis rodadas para o fim da Série B de 2021, é a continuidade disso tudo que estamos querendo retirar da história do clube. Colocar o Vitória na Série B é obrigação dele, pois o rebaixamento para a C tem a sua assinatura.

Jota: O financeiro foi sempre a queixa de todos que entraram, culpando a situação dentro e fora do campo, isso lhe incomoda, ou tens já um mecanismo para solucionar as feridas?

M.S: Incomoda a partir do momento que os que reclamaram e ainda reclamam da parte financeira não buscarem solução para o problema, que, na verdade, tem sido criado por eles mesmos. O Vitória passa por uma grave situação financeira por desmandos, irresponsabilidades e por falta de equilíbrio em suas ações administrativas. Hoje somos a imagem do retrocesso, da desorganização institucional. O Vitória precisa de uma mudança radical e responsável.

Jota: O torcedor assim como você, está indignado com os elencos montados ultimamente, se a bola não entra, tudo desaba, se eleito, o que fazer com o departamento de futebol e paralelamente com a base?

M.S: Hoje o departamento de futebol é comandado por cardeais que querem um clube centenário, com uma torcida apaixonada, para chamar de seu. O Vitória parou no tempo em todas as suas áreas e, na principal delas, o futebol, conseguiu chegar ao nível mais rasteiro de sua história. Não adianta prometer o que não se pode cumprir. Precisamos profissionalizar o futebol do clube com ações assertivas, buscando pessoas que possam cumprir o vamos estabelecer: gerir de forma responsável, dentro da nossa atual realidade, que ainda é de um clube de Série C.

Nossa base passa por um período de muitas mudanças, sendo hoje comandada por pessoas que nada entendem do processo administrativo de um clube de futebol. A base do Vitória é e sempre será uma fonte de receita segura, constante. A base terá atenção especial em nossa gestão. Precisamos dela mais do que nunca agora.

Jota: O que o levou a se unir com Rick para que a oposição esteja fortalecida diante dos demais candidatos?

M.S: Ricky tem uma história no futebol não só com a camisa do Vitória. Ele tem o nosso respeito e, principalmente, o respeito do torcedor, que sabe das suas intenções com o clube. Ricky é um apaixonado pelo Vitória, assim como a gente, e tem uma visão de mercado ampla, atualizada. Pessoas sérias como ele sempre agregarão a qualquer gestão.

Jota: Com esta fusão dos dois grupos, poderia o ídolo Rick comandar o futebol, ou esta conversa ainda não aconteceu?

M.S: Não estamos preocupados em quais cargos cada um terá. Nossa preocupação é contribuir com o crescimento do clube dentro e fora de campo. Não temos a palavra vaidade em nosso projeto. Temos pessoas comprometidas, preparadas e cientes das responsabilidades que terão ao longo de três anos de gestão.

Jota: Marcus Sarmento finalmente, poderias expor para o sofrido torcedor do Leão, seus projetos, planos de trabalho e modelo de administração?

M.S: Nenhum dirigente pode entrar no Esporte Clube Vitória sem uma auditoria. O Vitória é uma caixa-preta. Hoje precisamos resgatar a identidade do clube. Deixamos de ser o clube a ser seguido. Somos, hoje, o modelo negativo para os outros clubes, e muito em razão das pessoas que geriram e que estão gerindo o clube hoje.

Precisamos profissionalizar o futebol. Parece uma frase clichê, mas é prioridade. Sem um futebol forte, não se faz um clube forte. Nossa ideia é resgatar o relacionamento perdido há alguns anos com o mercado nacional e internacional. A marca do Esporte Clube Vitória foi referência em um passado não tão distante. O clube vem definhando em todas as áreas, não só o futebol. A comunicação do clube com o torcedor é péssima, com o sócio que tem contribuído, mesmo na Série C, também é vergonhosa. O torcedor do Vitória vem sendo maltratado ao longo de muitos anos. 

Com tranquilidade e uma situação financeira estabilizada, precisamos olhar mais para o nosso Barradão, nossa casa. Queremos transformá-lo é um espaço para a família, com opções de lazer antes dos jogos. O torcedor merece conforto.

Temos que colocar sonhos e planos possíveis. O impossível não será feito por ninguém. O primeiro passo é colocar metas, pequenas que sejam, que estejam em nosso alcance.

Jota: Faltando pouco mais de 30 dias para o pleito, acreditas que existe tempo hábil, para que os eleitores adimplentes absorvam suas prevenções?

M.S: Hoje temos uma corrida contra o tempo para a campanha eleitoral. Muitos grupos estão buscando a união com o Grupo Raiz e isso nos deixa felizes. É o sinal de que o nosso projeto vem agradando ao torcedor. Estamos conversando com torcedores rubro-negros que buscam o mesmo que a gente: uma mudança significativa na gestão do clube.

Jota: Acreditas que se eleito, conseguira administrar sem intervenções, uma vez que elas atrapalharam por demais o clube?

M.S: Acredito que qualquer intervenção que se venha a ter com qualquer candidato que for eleito presidente do Esporte Clube Vitória só prejudicará ainda mais o clube. Não tenho medo de intervenções. Se tivesse, não estaria concorrendo. Penso em um clube com um futuro digno da sua história, com pés no chão, reestruturação, equilíbrio em suas contas. Se todos pensarem desta forma, acredito que o clube possa retornar aos seus anos de glórias.

Jota: Marcus Sarmento obrigado pela consideração e atenção, e esteja à vontade para suas considerações finais.

M.S: Queria agradecer ao espaço, Jota, e sei que você e todos os rubro-negros querem mudanças e um novo momento para o Esporte Clube Vitória. Hoje estamos reféns de pessoas que estão no clube por vaidade, sem capacidade administrativa, mas temos esperanças de que isso mudará em breve. Quero ver o clube que aprendi a amar ainda criança a dar alegrias ao torcedor. Nós merecemos isso.

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